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O que é urticária?

Foto do escritor: Leonardo BonifacioLeonardo Bonifacio

Atualizado: 10 de jan. de 2024

A urticária é uma das queixas mais comuns no consultório médico. Causa grande receio no paciente, devido à associação com quadros alérgicos e anafilaxia. Você sabe o que é urticária? Saiba mais sobre o assunto neste post.


urticaria

O que é urticária?


Urticária é definida como um doença de pele em que aparecem as urtigas: lesões eritematosas (vermelhas), com relevo, prurido (coceira), e que por definição são fugazes, ou seja, duram menos que 24 horas, mas podem reaparecer novamente em outros lugares no mesmo quadro. O nome foi dado devido a semelhança com as lesões que aparecem após contato com as plantas da família das urtigas.


Dois pontos importantes: a urticária quase sempre causa prurido (coceira), que pode ser muito intensa. Se não houver coceira, o diagnóstico de urticária é improvável. E as lesões duram menos de 24 horas. Se a lesão estiver fixa no mesmo lugar por período maior, também é improvável que seja urticária.


O que causa a urticária?


As lesões são causadas pela vasodilatação (dilatação dos vasos) da pele, ocasionado principalmente pela liberação de histamina, um mediador inflamatório e alergênico que se encontra nos mastócitos (células da defesa imune).


As causas de urticária são inúmeras, e para a surpresa de muitas pessoas, muitas delas não são alérgicas. É importante frisar isso porquê popularmente, a urticária é sempre associada à uma alergia.


Pode ser causada devido à um processo alérgico, como alimentos, remédios, produtos de higiene, etc., e ás vezes pode vir associada a edema (inchaço) de mucosas, como lábios, região periocular (em volta do olho), chamado de angioedema. Os casos mais graves podem apresentar sintomas sistêmicos (no corpo todo), incluindo outro órgãos além da pele, podendo ocasionar náuseas e vômitos, queda da pressão arterial, dor abdominal, vertigens (tonteira), sibilos (chiado no peito), edema de glote (inchaço na garganta), que pode causar desconforto respiratório. Nos casos que há envolvimento de outro órgão além da pele, estamos diante de um quadro de Anafilaxia, que é um quadro grave, potencialmente fatal, que necessita de atendimento médico em urgência de imediato.


Mas a urticária sempre é alérgica?


Não. Ela pode surgir devido à vários fatores. Um exemplo bastante comum é infecções. A urticária pode ser desencadeada por diversos vírus e bactérias, sendo mais comum na infância. Inclusive, a primeira causa de urticária na infância é infecciosa, e não alérgica. Isso pode gerar muita confusão, como por exemplo, as vezes, após uma infecção de garganta causada por vírus, é iniciado antibiótico, geralmente amoxicilina. Após o surgimento da urticária devido à infecção, muitas crianças são diagnosticas erroneamente como alérgica a penicilinas (amoxicilina e outras), devido aos eventos do quadro.


A urticária pode ser ocasionada por fatores mecânicos, como pressão na pele, e esses pacientes podem ter um quadro chamado de dermografismo, que é o aparecimento de lesões tipo urtigas em áreas em que há fricção da pele (algo que arranhou, ou até mesmo áreas de pressão ocasionadas pelo sutiã, por exemplo).


Existem urticárias causadas pelo sol, pelo calor, pelo esforço físico, pelo frio, entre outras. E existem também as urticárias espontâneas, sem causa aparente, que se caracterizam pelo aparecimento da urticária, recorrente, onde não se consegue descobrir uma causa isolada.


Vamos agora conhecer os quadros de urticária:


Urticária alérgica


É aquela que aparece após contato com o que a pessoa é alérgica. O tempo de aparecimento é rápido, porém variado, podendo levar segundos (exemplo: uso venoso de drogas), ou minutos até poucas horas. Nesses casos estão incluídos as alergias a alimentos, sendo os mais comuns o leite, ovo, frutos do mar (camarão, lagosta, caranguejo, etc), as nuts (castanhas em geral, como nozes, avelã, castanha-do-pará), trigo e amendoim (esse último é relacionado com as nuts, mas não são da mesma família, sendo da família das leguminosas, que incluem o feijão e ervilha).


Se inicia com a aparecimento das urticas, que como explicado anteriormente, são pruriginosas (coceira) e somem ou mudam de lugar em menos de 24 horas. Podem vir acompanhado do angioedema (inchaço), e pode evoluir para o quadro grave de anafilaxia.


As medidas consistem em descobrir a causa e afastar o que causa alergia, e o tratamento depende da gravidade do caso. Quadros leves são tratados com antialérgicos (anti-histamínicos) de segunda geração, e os quadros mais graves necessitam de atendimento em urgência para a administração de adrenalina.


Urticária infecciosa


Surge concomitante com um quadro infeccioso, sendo então um sintoma da infecção. Nas crianças, mais de 80% das urticárias não são alérgicas, sendo importante fazer o diagnóstico correto para não acusar um agente causador alérgeno sem existir. Diversas infecções virais e bacterianas podem causar urticária, como o resfriado comum, gripe, infecções por coxsackie, HIV, amigdalites (infecções de garganta), entre outros. Infecções parasitárias (vermes) também podem desencadear um quadro de urticária, além da presença de H. pilory no estômago.


Como a causa também é a liberação de histamina, o tratamento é similar à urticária alérgica, com uso de antialérgicos (anti-histamínicos).


Urticária Crônica


São as urticárias que reaparecem em quadros diferentes, ou seja, o paciente apresenta quadros repetidos de urticária após a resolução do quadro anterior. São divididas em Urticária Crônica Induzida, quando sabe-se o agente causador, e urticária crônica espontânea, quando não se consegue achar a causa isolada.


Urticárias Crônicas Induzidas


Urticária solar


É a urticária que é causada pela exposição solar. O tempo de exposição varia muito, podendo ser breves minutos de exposição solar até várias horas. O paciente geralmente sabe relatar a associação da urticária solar com a exposição ao sol.


O tratamento é feito com antialérgicos, e medidas cautelares como evitar exposição solar direta, usar filtro de alta proteção, uso de bonés, chapéus e roupas com proteção solar.


Urticária ao frio


É a urticária que aparece no frio. Alguns pacientes podem apresentar somente na mudança climática repentina, como sair de casa para o tempo frio, enquanto outros aparecem em qualquer exposição.


Urticária de pressão tardia


Urticária que aparece após contato de pressão na pele, após algumas horas. Exemplificando, as lesões aparecem no lugar onde houve pressão de mochila, sacola de supermercados, entre outras coisas que fazem pressão na pele.


Urticária colinérgica


Aparece geralmente associada ao calor, e fatores que aumentam a temperatura corporal, como esforço físico, banho quente, sauna, etc. As lesões são geralmente menores que a da urticária alérgica, podendo ser puntiformes, em forma de pequenas "bolinhas" na pele, e os pacientes tendem a relatar mais sensação de ardor e queimação do que prurido (coceira).


Urticária Aquagênica


Urticária que aparece após contato com a água. Quadro bastante raro, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida do portador, devido as limitações com o uso da água que a doença pode trazer. Deve ser diferenciada da urticária ao calor e frio, que podem aparecer com a água em determinada temperatura, sendo essas ocasionadas pela temperatura, e não pela água.


Dermografismo


Apesar do nome diferente, também é uma urticária. Aparece após atrito ou fricção na pele, como arranhadura, e até mesmo o ato de coçar pode causar o dermografismo. Pode ser imediato, aparecendo em segundos após o atrito, ou pode ser tardio, demorando algumas horas para o aparecimento. O portador tem um aspecto de "pele arranhada".


Urticária Crônica Espontânea


É o quadro que aparece e se repete, sem causa aparente. É preciso afastar todos os diagnósticos anteriores, para certificar que não há uma causa que desencadeia a urticária. Pode estar associada a alterações imunológicas ou reumatológicas, e é mais comum em pacientes que tem essas condições (doenças da tireoide, alterações hormonais, etc.). É mais comum no sexo feminino. Os quadros podem ser arrastados, durando meses e até mesmo vários anos, levando ao comprometimento da qualidade de vida do paciente.


O tratamento consiste em certificar que não existe uma causa, e o uso de antialérgicos (anti-histamínicos) de segunda geração por tempo prolongado. Dependendo da intensidade e gravidade dos sintomas, as doses habituais dos antialérgicos podem ser duplicadas ou até mesmo quadruplicadas para controle dos sintomas. Saiba mais sobre a UCE em nosso post sobre o assunto: Urticária Crônica Espontânea: o que é e como tratar?


Seja qual for a sua urticária, é importante a consulta com um Médico Alergista para que se faça o diagnóstico correto e o tratamento adequado.


Nos siga no Instagram para ficar sempre atualizado nos assuntos de Alergia, Imunologia e Saúde em geral: @aliusalergoimuno



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Quem faz: 

Leonardo Bonifácio

Médico formado pela UNIFESO

Pós-graduado em Pediatria pela IBCMED - SP
Especializando em Alergia e Imunologia pela UNIFASE

no Hospital Central do Exército - RJ

contato@leonardobonifacio.com

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