Alergia à Proteína do Leite de Vaca - APLV
- Leonardo Bonifacio
- 29 de abr. de 2024
- 4 min de leitura
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca é uma das queixas mais comuns no consultório do Alergista, e também dos pediatras. Engloba uma série de condições que podem se apresentar de diferentes maneiras, o que pode causar dificuldade no diagnóstico correto. Saiba o que é a Alergia à Proteína do Leite de Vaca - APLV e como tratar neste post.

Alergia à Proteína do Leite de Vaca - APLV
A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum, dependendo da idade. Junto com o ovo, trigo, frutos do mar, peixes, castanhas, amendoim e soja, completam o grupo dos 8 alimentos que mais causam alergia alimentar.
A APLV é mais comum em crianças, e a maior parte dos pacientes que são alérgicos acabam por desenvolver tolerância com o passar da idade. Tem diversas formas de apresentação, com sinais e sintomas diferentes, desde quadros leves de diarreia e sangue nas fezes, até quadros graves de anafilaxia, com risco a vida.
O leite de vaca possui diversas proteínas, e a alergia pode ser causada por uma ou várias dessas proteínas. As principais proteínas no leite de vaca com potencial alergênico são a caseína, a alfa-lactoalbumina e betalactoglobulina. A diferenciação de qual ou quais proteína são responsáveis pela alergia é muito importante, pois interferem diretamente no prognóstico da alergia e no tratamento. Por exemplo, a caseína é uma proteína mais estável, que não perde sua forma no cozimento. Ou seja, quem tem alergia a caseína vai apresentar sintomas mesmo com alimentos com leite cozido, como bolos e biscoitos. E a alergia a caseína tem um pior prognóstico na APLV, com alergias mais duradouras, que podem persistir por toda a vida, é reações mais graves. Já a alfa-lactoalbumina e a betalactoglobulina são proteínas que perdem sua estrutura mais facilmente durante o cozimento, e parte dos pacientes que tem alergia a essas proteínas só apresentam sintomas com o alimento cru, mas toleram cozidos.
Quais são os tipos de reações da APLV?
Reação Imediata (IgE Mediada)
A APLV pode se apresentar de forma imediata, com sintomas predominantemente cutâneos, envolvendo o quadro típico de alergia alimentar que a maioria das pessoas conhece. Após a ingesta do leite de vaca, surgem urticária (manchas e placas vermelhas no corpo, que duram menos de 24 horas, e coçam) e angioedema (inchaço de mucosas, principalmente boca). Os sintomas tentem a aparecer de minutos a poucas horas após a imgesta do leite de vaca. Também, pode ocorrer reações mais graves, envolvendo outros sistemas do corpo, caracterizando uma reação anafilática, que é potencialmente fatal. Nessa reação, além da pele, surge sintomas em outros lugares, como respiratório (chiado), intestinas (vômitos), neurológicos (alterações do nível de consciência), até sintomas sistêmicos, como queda da pressão arterial e choque, podendo causar o óbito.
Síndrome da proctocolite induzida por proteína alimentar
Esta síndrome é mais comum em bebês, primcipalmente nos primeiros meses de vida. É caracterizada pela presença de sangue e muco nas fezes, que na maioria das vezes tem consistência normal. É uma síndrome benigna e autolimitada, que não causa prejuízo no crescimento e ganho de peso do bebê, apesar de criar grande aflição aos familiares. Pode ser causada pela ingesta de leite de vaca pela mãe, quando o bebê está em aleitamento materno exclusivo.
O tratamento consiste em retirar o leite de vaca da dieta materna, ou em casos de bebês com uso de fórmulas, a troca para uma fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos pode ser necessária. Resolve-se espontaneamente, e a maior parte dessas crianças vão tolerar leite de vaca normalmente no futuro.
Síndrome de enteropatia induzida por proteína alimentar
Ao contrário da síndrome anterior, esta síndrome pode causar perda de peso e atraso no crescimento. É caracterizada por diarreia e dor abdominal crônica, geralmente sem sangue nas fezes. O diagnóstico é feito com a exclusão do alimento da dieta, com reintrodução depois de 4 a 8 semanas, com o reaparecimento dos sintomas. Também é uma síndrome transitória, que desaparece por volta de 1 a 3 anos de idade. O tratamento consiste na retirada do leite de vaca da dieta, com uso de fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos, se necessário.
Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar - FPIES
Esta síndrome ocorre mais frequentemente em bebês de 2 a 7 meses de idade, após introdução de fórmulas e alimentos sólidos. Raramente acontece em bebês em aleitamento materno exclusivo. É caracterizada por vômitos incontroláveis, palidez e letargia (bebê fica caidinho) que ocorre cerca de 1 a 4 horas após a ingesta do leite. Os vômitos incoercíveis podem causar desidratação rápida, podendo causar choque hipovolêmico, com risco de vida. Também pode surgir diarreia.
Como fazer o diagnóstico?
O diagnóstico deve ser feito por um Médico Alergista ou Gastroenterologista, afim de confirmar o alimento envolvido, a forma de apresentação e definir as condutas. Como a APLV é bem ampla, com apresentações diferentes, que tem prognósticos diferentes, o diagnóstico e o acompanhamento correto são fundamentais, não só para o tratamento da doença, mas como para evitar o diagnóstico errado e a retirada do alimento sem necessidade da dieta do paciente.
Alergia à Proteína do Leite de Vaca ou Intolerância à Lactose? É tudo igual?
Não. Enquanto a APLV é uma doença alérgica, a Intolerância à Lactose é uma condição intestinal, onde uma enzima necessária para a degradação da lactose não está presente ou está presente em quantidade insuficiente. Saiba mais sobre o assunto no nosso post: Alergia à Proteína do Leite de Vaca e Intolerância à Lactose. É tudo igual?
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por
Leonardo Bonifacio Médico Pós graduado em Pediatria pela IBCMED-SP Especializando em Alergia e Imunologia pela UNIFASE no Hospital Central do Exército - RJ
CRM 52-0109601-0
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