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Alergia a anti-inflamatórios: saiba o que é

  • Foto do escritor: Leonardo Bonifacio
    Leonardo Bonifacio
  • 28 de dez. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 10 de jan. de 2024

Muitas pessoas apresentam reações aos anti-inflamatórios, seja a apenas um deles ou a vários. Os mecanismos dessa condição são complexos, e vão ser explorados nesse post. Saiba o que é alergia a anti-inflamatórios.


alergia à anti-inflamatórios


Uma reação a uma medicação, seja ela qual for, é chamada reação adversa, e essa reação pode ser esperada (contém na bula), ou inesperada (alergia). É importante distinguir essas condições, pois as reações aos anti-inflamatórios (AINES) podem se encaixar nas duas. Além disso, pode existir reação à apenas um anti-inflamatório, ou à vários, sendo condições diferentes que precisam de diagnóstico e medidas diferentes. Vamos conhecer elas:


Saiba o que é alergia a anti-inflamatórios:


Reação à vários anti-inflamatórios


Quando a pessoa apresenta reação a vários anti-inflamatórios, como por exemplo a aspirina, dipirona, ibuprofeno, nimesulida, entre outros, não se trata de uma alergia, e sim uma resposta inadequada da pessoa ao mecanismo de ação do remédio, ou seja, o modo como ele age no organismo causa os efeitos indesejados.


Os sintomas podem incluir urticária (placas vermelhas na pele) e angioedema (inchaço de mucosas, como boca, laringe, região periorbital), que variam de intensidade, podendo ser leves, até causar quadros mais graves com edema de glote (garganta fechando) com risco à vida.


O tempo de aparecimento dos sintomas pode variar bastante, desde alguns segundos para administração do remédio por via endovenosa, até alguns minutos a horas.


Os sintomas aparecem devido ao mecanismo de ação do remédio: ele faz o bloqueio de uma enzima chamada COX no nosso organismo, que participa de processos inflamatórios, causando dor e febre, mas também tem funções importantes no nosso organismo, como proteção da mucosa do estômago. Existem 3 enzimas nesse grupo, COX-1, COX-2 e COX-3, e dependendo do anti-inflamatório, ele pode bloquear a COX-1 e COX-2 igualmente ou em níveis parecidos, ou pode bloquear mais a COX-2. Para os efeitos de combate à dor e a febre, é preferível o bloqueio das COX-2 e COX-3, sendo que a COX-1 é mais relacionada às funções normais do organismo, e seu bloqueio tende a causar a reação nas pessoas com susceptibilidade.


Na pessoa que apresenta esta susceptibilidade, o bloqueio da COX causa os sintomas falados anteriormente. Entendido isso, fica explicado que essa condição não é uma alergia, e sim um efeito adverso que acontece nessas pessoas. Por não ser uma alergia, a pessoa reage a diversos medicamentos com mecanismos de ação parecidos, por isso, elas não podem tomar vários anti-inflamatórios diferentes.


Em termos práticos, para o leigo, não há problema de chamar essa condição de alergia, pois o princípio é evitar que a pessoa tome essas medicações ou que elas sejam feitas em hospitais. Então, caso você possua essas reações, você pode falar que é alérgico a anti-inflamatórios, que o objetivo final de evitar essas medicações vai ser alcançado.


É muito importante que o paciente seja bem orientado quanto à identificar as medicações que contenham os anti-inflamatórios. A orientação é pra que seja sempre lida o nome da medicação, e não o nome comercial. Como exemplo, o Buscopam Composto® tem dipirona em sua composição, o Engov® tem AAS, a maioria dos antigripais também tem algum, entre vários outros exemplos, mostrando a importância de sempre verificar as medicações que compõem o remédio. Geralmente, o médico fornece uma lista com todas as medicações restritas e as opções possíveis para uso.


Como fechar o diagnóstico correto e oferecer opções?


É muito importante a consulta com um médico alergista, para fechar o diagnóstico correto, ser dada todas as orientações importantes para o caso, e se possível, liberar outras medicações para que o paciente possa ter alternativas para uso. Afinal, não basta apenas restringir o uso, temos que apresentar opções seguras.


Como explicado, a reação surge principalmente pelo bloqueio da COX-1, e existem anti-inflamatórios mais modernos, que inibem preferencialmente a COX-2, que são usualmente bem tolerados por esses pacientes. Mas atenção: a liberação de anti-inflamatórios seletivos da COX-2 deve ser feita apenas por Médico Alergista, após teste de provocação, em ambiente adequado (hospital, ou consultório nível 3, o consultório que dispõe dos meios de tratamento de uma possível reação). Somente após o teste de provocação com resultado negativo, o paciente está liberado para tomar esses anti-inflamatórios. Vale salientar que o teste de provocação é bastante seguro, as taxas de reação com anti-inflamatórios seletivos da COX-2 é bastante baixa, e o médico especialista está preparado para agir caso necessidade.


O Paracetamol usualmente também é tolerado por esses pacientes, sendo dose dependente (ou seja, alguns pacientes podem tolerar doses habituais, mas causar a reação com doses maiores). O paracetamol age inibindo mais a COX-3, e é o único anti-inflamatório disponível no mercado que tem essa característica. Mas assim como o teste de provocação com os seletivos da COX-2, o do paracetamol também deve ser realizado por médico especialista.


Reação a um único anti-inflamatório


Quando a pessoa tem reação a apenas um anti-inflamatório, como o ibuprofeno, ou vários do mesmo grupo (ibuprofeno, cetoprofeno, etc.), e toma outros anti-inflamatórios sem causar reação, se trata de uma alergia propriamente dita. Esse paciente tem alergia ao medicamento, e este e os outros do mesmo grupo devem ser evitados. A alergia pode surgir a qualquer anti-inflamatório, como qualquer medicação. Nestes casos, basta a pessoa dizer que é alérgica aquela substância (ex.: sou alérgica a dipirona). As mesmas orientações quanto verificar o nome da medicação, e não o nome comercial, também são essenciais.


Na dúvida, sempre procure um médico alergista para confirmar a condição antes de tomar qualquer medicação. É melhor prevenir do que remediar.


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Quem faz: 

Leonardo Bonifácio

Médico formado pela UNIFESO

Pós-graduado em Pediatria pela IBCMED - SP
Especializando em Alergia e Imunologia pela UNIFASE

no Hospital Central do Exército - RJ

contato@leonardobonifacio.com

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